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Você está vivendo o agora ou apenas repetindo o ontem?

9 de jun.
3 min de leitura

Outro dia eu estava refletindo sobre algo que o Joe Dispenza aborda muito em seu livro Como Se Tornar Sobrenatural e que, sinceramente, mudou a forma como eu observo a mim mesma.

Nós costumamos acreditar que o passado ficou para trás. Mas será que ficou mesmo? Porque uma coisa é uma experiência ter acontecido há cinco anos. Outra bem diferente é continuar carregando essa experiência dentro do corpo todos os dias. Pense em alguém que passou por uma grande decepção. O acontecimento acabou, a vida seguiu, as circunstâncias mudaram. Mas basta surgir uma situação parecida para o coração acelerar, o estômago contrair e a mente começar a criar histórias. O corpo reage como se aquela experiência ainda estivesse acontecendo.


É justamente aqui que a visão do Joe fica tão interessante. Segundo ele, a maioria das pessoas não está vivendo a partir da realidade atual, mas sim a partir das emoções que foram acumulando ao longo da vida. E, sinceramente, vi muito sentido nas colocações dele. Quantas vezes você já se pegou revivendo uma conversa antiga enquanto tomava banho? Ou imaginando uma situação futura enquanto dirigia? De repente lembrando algo que alguém fez há anos e sentindo exatamente a mesma raiva, tristeza ou frustração daquele dia?



O curioso é que o corpo não entende que aquilo é apenas uma lembrança. Ele responde produzindo substâncias químicas associadas àquela emoção. E quando fazemos isso repetidamente, dia após dia, mês após mês, o organismo começa a se familiarizar com aquele estado. É como se determinadas emoções passassem a ser a nossa "zona de conforto", mesmo quando são desagradáveis. Não porque gostamos delas, mas porque nos tornamos habituadas a senti-las.

Joe fala sobre algo que, quando li pela primeira vez, me fez parar por alguns minutos para digerir: chega um momento em que o corpo se torna a mente. Ou seja, não são apenas os pensamentos que criam emoções. O próprio corpo passa a pedir as emoções às quais se acostumou. É como um ciclo automático. Você pensa, sente, reforça aquele estado interno e, sem perceber, começa a enxergar o mundo através dele.

Acho que é por isso que algumas pessoas mudam de cidade, de relacionamento, de emprego e continuam encontrando os mesmos conflitos. A paisagem mudou. Mas a química interna continua igual. E existe um ponto ainda mais fascinante nessa conversa.


Durante muito tempo, acreditou-se que éramos praticamente reféns da genética. Hoje sabemos que a história é mais complexa. A área da epigenética mostra que fatores ambientais e comportamentais influenciam a expressão dos nossos genes. Joe leva essa reflexão para um lugar ainda mais profundo: se pensamentos e emoções alteram constantemente a química do corpo, então a forma como vivemos internamente importa muito mais do que imaginamos. Isso não significa que basta pensar positivo para transformar a vida. Essa é uma simplificação que ele mesmo não propõe. O que ele questiona é outra coisa. Como criar algo novo enquanto continuamos emocionalmente conectadas ao velho?


Como esperar uma realidade diferente se, internamente, estamos repetindo os mesmos estados emocionais há anos? É uma pergunta desconfortável. Mas necessária. Porque muitas vezes queremos mudanças externas enquanto permanecemos internamente idênticas. E o maior roubo que acontece na nossa vida é justamente esse: perder o presente. Enquanto o corpo está aqui, a mente está negociando com o passado ou tentando controlar o futuro. A energia se fragmenta, a atenção se fragmenta e sem atenção não existe criação consciente.


Quando observamos uma criança pequena, percebemos algo bem interessante. Ela está inteira na experiência. Se está brincando, está brincando. Se está observando uma formiga, o universo dela é aquela formiga. Nós fomos perdendo essa capacidade ao longo do caminho. Passamos a viver em estado de antecipação, sempre esperando, preocupadas, analisando, relembrando e interpretando. E quase nunca habitando plenamente o único lugar onde a vida realmente acontece: o agora.


Por isso, práticas como yoga, meditação e respiração consciente têm um impacto tão grande, não porque sejam mágicas, mas porque nos ajudam a perceber o quanto estávamos ausentes de nós mesmas. Elas interrompem o piloto automático por alguns instantes e criam espaço. E nesse espaço começamos a enxergar algo que normalmente passa despercebido, "nós não somos obrigadas a continuar sendo a mesma mulher que fomos ontem".



O passado deixa marcas, ensina, molda e transforma. Mas ele não precisa determinar quem seremos daqui para frente. Existe uma diferença enorme entre honrar a própria história e viver aprisionada a ela. O primeiro passo para criar uma vida diferente seja simplesmente estar mais presente. Porque toda possibilidade de mudança começa exatamente no único momento que temos nas mãos. Este!



Recomendo muito a leitura desse livro, Deusa.

Um grande beijo,

Rafa Lima


 
 
 

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