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O Yoga que acolhe

Atualizado: 2 de set. de 2025

Nos últimos anos, as redes sociais transformaram o yoga em um palco. Corpos impecavelmente

moldados, posturas avançadas executadas com perfeição e cenários dignos de filmes muitas vezes tomaram o lugar da essência dessa prática milenar. Mas será que yoga é realmente sobre alcançar a postura mais difícil, ou sobre conquistar a flexibilidade digna de likes?


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Essa cultura do “yoga performático” cria um imaginário perigoso: o de que só é praticante quem consegue inverter o corpo, se sustentar em um braço em equilíbrio ou se dobrar ao meio. E o que sobra para a mulher comum, que chega cansada após um dia inteiro, vivendo suas oscilações hormonais, dores, cólicas, menopausa, ou simplesmente um momento de fragilidade? Muitas vezes sobram frustrações, comparações e até desistência.

Quando o yoga vira palco para espetáculo e perfeição, ele perde sua potência de transformação. Por que, sejamos sinceras, quem aguenta mais uma cobrança em um mundo que já exige tanto da gente?

Yoga não deveria ser mais uma lista de metas inalcançáveis. Não deveria ser sobre forçar, competir ou se machucar para caber em uma pose.


Mas o yoga não foi feito para o palco. Ele foi feito para dentro.

Quando nos aproximamos dessa prática com respeito, percebemos que o corpo feminino não é linear, ele é cíclico. Em alguns dias temos energia e força para flows mais intensos, em outros, o convite é descansar em posturas restaurativas. Essa dança de movimento e pausa não é fraqueza, é sabedoria. O yoga que acolhe entende que cada fase pede algo diferente, e que ouvir o corpo é parte da prática.


Ao contrário do que se vê nos holofotes digitais, yoga não exige, yoga oferece. Nos dá ferramentas para atravessar a TPM sem tanto peso, para aliviar dores físicas, para acalmar a mente no meio do turbilhão, para reencontrar um espaço de silêncio quando tudo ao redor é barulho. Ele não cobra performance, ele entrega presença.


E talvez aqui esteja a maior revolução, praticar um yoga que não nos faz competir nem com os outros, nem com nós mesmas. Um yoga que nos lembra que o corpo é templo, mas também é história – com marcas, mudanças, fases e imperfeições que merecem ser honradas.

No fim, o verdadeiro Yoga não cabe em fotos perfeitas. Ele acontece no instante em que você respira fundo e se dá permissão para estar com você, sem cobrança, sem pressa, sem plateia. Porque o yoga que transforma é o yoga que acolhe.


mulher relaxando fazendo yoga

Com carinho,

Rafa Lima





 
 
 

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